
Uma cliente entrou na loja de Armação de Pêra com o comprimento da sala de jantar escrito nas costas da mão. Quatro metros e vinte. Já tinha escolhido uma mesa de jantar de dois metros e quarenta, o que deixava espaço de sobra, no papel.
Em casa, o aparador comia quarenta e cinco centímetros de um lado e a porta da cozinha abria para o outro. Ela tinha medido tudo bem; ninguém mede a abertura de uma porta. Nós só o fazemos porque já vimos isto apanhar gente desprevenida mais de uma vez.
Escolher uma mesa de jantar começa pelas cadeiras. Conte com uns 60 centímetros de tampo por pessoa e cerca de 90 centímetros livres entre a mesa e a parede ou o aparador mais próximo, para que uma pessoa possa afastar a cadeira enquanto outra passa com uma travessa. Meça esse espaço primeiro; a mesa é o que couber lá dentro.
As pernas, e quem acaba sentado ao lado delas
A forma leva quase toda a atenção na loja e as pernas quase nenhuma, apesar de serem as pernas a decidir quantas pessoas cabem de facto. Um tampo retangular com uma perna em cada canto senta o número que diz a etiqueta. Ponha o mesmo tampo sobre um pé central, ou sobre dois cavaletes recuados das pontas, e cabem mais dois no Natal sem ninguém ficar com uma perna da mesa entre os joelhos.
As mesas redondas são simpáticas para a conversa e para salas difíceis, até certo ponto. Acima de seis pessoas, o centro passa a ser um sítio onde ninguém chega, e o sal tem de fazer a viagem. A oval guarda quase toda essa facilidade numa sala mais comprida do que larga, o que descreve muitos apartamentos do Algarve onde a zona de jantar partilha o espaço com o sofá; traçar essa fronteira é o assunto do nosso artigo sobre como dividir uma sala em open space.
Depois, outra vez as cadeiras. Cadeiras com braços nas cabeceiras parecem generosas e precisam de uma mesa cuja travessa (a moldura logo por baixo do tampo) esteja alta o suficiente para os braços entrarem por baixo. Muitas não estão. Descobre-se na primeira noite, quando duas cadeiras ficam a um palmo da mesa o jantar inteiro.
Onze meses para dois, agosto para doze
Esta é a parte que mais gente faz ao contrário por cá. Uma casa no Algarve passa a maior parte do ano com duas ou três pessoas à mesa, e depois chega a família, primos de Lisboa incluídos, e durante três semanas são doze.
Uma mesa para doze usada por dois parece uma cantina em fevereiro. Uma mesa extensível comprada no tamanho do dia a dia é quase sempre a melhor resposta, desde que o mecanismo se consiga abrir sozinho; há os que pedem duas pessoas e uma tarde livre, por isso peça para a abrir com as suas próprias mãos na loja. E para o único jantar do ano que nem a extensão aguenta, a mesa do terraço recebe o excedente, o que é um bom argumento para comprar o mobiliário de jardim à mesma altura da mesa de jantar.
No alojamento local, tudo isto vai mais longe. Os hóspedes raramente contam cadeiras antes de reservar, mas contam-nas sempre à chegada, e uma mesa que senta o número do anúncio sem abrir a extensão vale mais a um proprietário do que qualquer acabamento. O que mais aguenta um verão de hóspedes está no nosso texto sobre mobilar uma casa de férias.
O tampo, o sol e os limões
A madeira maciça mexe. Encolhe um pouco num agosto seco e incha num janeiro húmido, e um tampo bem feito está construído para deixar que isso aconteça; uma racha ao longo do veio quer normalmente dizer que não estava. O sol que entra por uma porta de vidro grande também vai dar a uma ponta da mesa uma cor diferente da outra em poucos anos, o que alguns donos adoram e outros resolvem com um caminho de mesa.
O mármore é bonito e não perdoa sumo de limão. Quando se levanta a mesa, a mancha já está na pedra. Para uma mesa que tem de aguentar tudo, um tampo cerâmico ou de pedra sinterizada é a escolha mais segura, porque um tacho quente ou um copo de tinto não deixam marca. O vidro é fácil de limpar e difícil de manter com ar limpo, sobretudo com o sol baixo de inverno.
O que rodeia o tampo também conta. Um tapete debaixo da mesa tem de continuar debaixo das cadeiras quando elas se afastam, como explicamos em como escolher um tapete, e um candeeiro suspenso pendurado alto de mais ilumina o teto em vez da comida, assunto do artigo sobre a importância da iluminação. Cuidar da madeira e da pedra de um ano para o outro está no nosso texto sobre cuidados com os móveis.
Sentar-se à mesa antes de a comprar
Na H&P Mobiliário e Decoração preferimos que passe vinte minutos sentado a uma mesa do que dois a olhar para ela. Traga as cadeiras que já tem, se forem ficar. Depois ponha a pessoa mais alta da família a sentar-se e a ver se os joelhos batem na travessa, enquanto outra se apoia num canto para ver se a mesa abana.
Quando nada na nossa coleção de salas de jantar serve à sala, um tampo pode ser feito por medida, até ao centímetro que a porta da cozinha lhe deixa. As duas lojas, em Albufeira e em Armação de Pêra, têm mesas montadas com cadeiras à volta para isto mesmo; venha afastar uma. Traga as medidas na mão, se quiser. Inclua a porta.
