Toda a casa tem pelo menos uma parede para a qual nenhum catálogo foi desenhado. Muitas vezes é o vão ao lado da chaminé, ou o quarto onde a janela fica quarenta centímetros perto de mais do canto para caber qualquer roupeiro à venda. O móvel de série entra na mesma e deixa um espaço na ponta, que junta pó e, mais cedo ou mais tarde, a tábua de engomar.
O mobiliário por medida compensa onde a divisão tem uma forma ou um uso a que os tamanhos de série não servem, e raramente noutro sítio. Na maior parte da casa, uma boa peça de série é a melhor compra. O dinheiro do por medida pertence às poucas peças que têm de encaixar ao centímetro, e preferimos dizê-lo já do que fazer-lhe uma mesa de cabeceira exclusiva.
Onde o por medida compensa
A arrumação embutida é o caso mais claro. Um roupeiro de parede a parede e do chão ao teto guarda bastante mais do que dois roupeiros soltos com um vão entre eles, e num quarto com teto inclinado pode ser a única coisa que cabe; falamos disso com mais vagar nas ideias de arrumação para o quarto.
Os sofás são uma entrada inesperada. Às vezes o problema é a sala, mas muitas vezes é a escada, porque os prédios mais antigos de Albufeira têm voltas por onde nenhum sofá de três lugares de série consegue passar. Um sofá feito em duas partes, ou dez centímetros mais curto, entra onde nada de catálogo entra. (O resto do que se deve ver num sofá está em como escolher o sofá perfeito.)
As mesas feitas ao comprimento exato fazem sentido quando a sala é apertada, como dissemos no artigo sobre escolher a mesa de jantar. Os tecidos são menos óbvios. O nosso atelier faz cortinados e almofadas à medida, o que quer dizer que o sofá e os cortinados por trás dele podem sair do mesmo rolo de tecido.
Onde não compensa
Um cadeirão, quase sempre. Os bons cadeirões de série foram afinados ao longo de décadas por quem não faz outra coisa, e uma peça única raramente os bate em conforto. As mesas de cabeceira e as mesas de centro também; o catálogo resolve-as bem, e a versão por medida acrescenta sobretudo semanas.
Também não é uma maneira de ir atrás de uma moda. As revistas gostam de apresentar as peças feitas à mão e por encomenda como um regresso do luxo, o que ao fabrico de mobiliário português dá alguma vontade de rir, porque nunca deixou de as fazer; dissemos isso mesmo nas tendências de decoração. O por medida serve para encaixar.
Como funciona connosco
Começa com alguém da H&P Mobiliário e Decoração a medir a divisão, porque um desenho feito a partir da planta não vê o rodapé nem a tomada que está exatamente onde a porta do roupeiro devia abrir. A partir daí podemos desenhar a peça num projeto 3D, para a ver na divisão antes de se cortar o que quer que seja, e as amostras de madeira e de tecido estão nas lojas de Albufeira e de Armação de Pêra para se mexerem em vez de se imaginarem.
As peças são feitas por fábricas portuguesas, algumas no norte, à volta de Paços de Ferreira e de Paredes, onde está há gerações boa parte da indústria do mobiliário do país, e outras mais a sul. Isso também conta mais tarde. Uma dobradiça que precise de ser trocada daqui a oito anos é um telefonema para quem a fez, e é parte da razão por que as peças por medida costumam ficar (decoração sustentável desenvolve isto).
Demora mais do que levar uma peça da loja, e quanto mais depende da fábrica e do acabamento, por isso damos-lhe uma data quando o desenho fica fechado, e não um palpite antes. A entrega e a montagem são nossas. Para ver como fica em casas acabadas, a página de projetos é a resposta mais honesta; para começar um, mande-nos as medidas da parede difícil.

