Mesa de jantar com zona de estar integrada num espaço de conceito aberto

De vez em quando alguém desenrola uma planta em cima de uma mesa do nosso showroom de Albufeira. Casa nova ou apartamento comprado em planta, quase sempre. Algures entre a entrada e o terraço está um retângulo enorme com uma palavra lá dentro: sala comum. E a pergunta que chega agarrada à planta é sempre uma variação da mesma. Por onde é que se começa?

Fica aqui a resposta comprimida, a que damos antes de o café chegar. Pare de pensar naquilo como uma sala. Um open space funciona quando tem duas ou três zonas definidas, quando os móveis fazem o trabalho que as paredes faziam, quando os tapetes são medidos pelas zonas e não pela sala, e quando cada zona tem luz própria. O que mata uma sala em open space é o vazio, não o excesso.

Um retângulo, várias funções

O open space é o que os construtores entregam agora, nas moradias e nos apartamentos, portanto quase ninguém o escolheu propriamente. Herda-se o retângulo. Chegou branco, com tijoleira e eco, e deve-lhe pelo menos três divisões: um sítio para estar, um sítio para comer, e um caminho entre a porta e o terraço que não atravesse nenhum dos dois.

Antes de comprar seja o que for, conte as funções antes dos metros quadrados. Uma casa de família pede muitas vezes uma quarta zona, um canto onde as crianças estejam à vista mas não debaixo dos pés. Uma casa que recebe pede às vezes uma quinta, dois cadeirões e uma mesa pequena onde uma conversa possa fugir à televisão. Escreva a lista. Cada zona que saltar nesta fase vira mais tarde um pedaço de chão morto, e são os pedaços de chão morto que fazem as salas grandes parecer por mobilar, gaste-se lá o que se gastar.

Os móveis são a arquitetura agora

Numa casa com paredes, o sofá encosta-se à arquitetura. Num open space, o sofá é a arquitetura. Vire as costas do sofá para a zona de jantar e a sala divide-se sem assentar um tijolo. Essas costas passam a estar em exposição, o que muda o sofá que merece o lugar; umas costas bonitas, ou uma consola baixa encostada atrás com um candeeiro em cima, e a fronteira lê-se como intenção dos dois lados.

Uma estante aberta faz o mesmo truque onde se quer mais separação, segura a linha e deixa passar a luz, e no Algarve esse argumento pesa, porque a luz costuma ser a razão pela qual a casa se comprou. Uma mesa redonda suaviza o canto de jantar e senta muita gente sem exigir a cerimónia de um retângulo comprido.

O que a sala grande convida discretamente a fazer é encostar tudo às paredes e deixar um descampado no meio. Resista. Num open space os móveis flutuam; as paredes são para a arte e para passar.

Os tapetes desenham a planta, a luz redesenha-a à noite

Um tapete é uma divisão sem paredes. Meça-o pela zona de estar, pés dianteiros de todos os sofás e cadeirões em cima dele, e a zona fecha-se; há um artigo inteiro sobre acertar no tapete, e num open space o risco duplica, porque um tapete pequeno de mais não fica só mesquinho, deixa a zona dissolver-se. Dois tapetes, duas divisões. Sem obras nem empreiteiro.

Depois de escurecer, os tapetes passam o testemunho aos candeeiros. Um candeeiro suspenso, baixo, por cima da mesa faz do jantar uma divisão própria. Candeeiros de pé e de mesa juntam poças de luz à volta do sofá. Deixe a luz grande do teto para os dias de limpezas, e ponha cada zona no seu interruptor, para que o espaço possa ser uma sala ao meio-dia e três às nove da noite. Essa remontagem, de longe a melhor coisa do open space, só acontece se as zonas existirem primeiro.

O eco de que ninguém avisa

As casas novas por cá vêm com tijoleira, vãos de vidro e pés-direitos generosos. Bonito, e barulhento. Cada superfície dura devolve o som de um tacho, de uma chamada, de um filme, e um open space por mobilar transforma conversa em anúncio de estação.

A solução é tecido, não eletrónica. Cortinados com algum peso, o tapete a fazer dupla função, peças estofadas, uma estante com livros a sério. As salas que soam macias parecem acabadas mesmo quando ainda não estão.

No alojamento local, as zonas pagam-se a dobrar, porque os hóspedes querem estar juntos e separados à mesma hora; esse mundo tem artigo próprio. Para todos os outros, o conselho acaba onde começou, na mesa do showroom. Traga a planta a Albufeira ou a Armação de Pêra. Há duas décadas que a H&P Mobiliário e Decoração desenha móveis por cima dos retângulos dos outros, e continua a ser a parte da semana que discutimos com mais gosto.

Share
go top