
As chaves vão parar à primeira superfície plana depois da porta de entrada. Em muitas casas daqui, essa superfície é uma cadeira onde nunca ninguém se senta, e ao fim de um ano já lá estão também o correio e o saco da praia, e o hall passou a ser uma espécie de sala de espera para coisas a caminho de outro sítio.
Os halls são decorados em último lugar porque ninguém passa lá tempo. São também a primeira coisa que qualquer pessoa vê, por isso dão o tom à casa inteira à chegada, e acertar num custa surpreendentemente pouco. Decorar um hall de entrada é sobretudo uma questão de uma consola estreita com um espelho por cima e de um candeeiro que não esteja no teto. Os sapatos são o outro problema, e já lá vamos.
A consola, e um espelho mais baixo do que se pensa
O que costuma falhar nas consolas é o fundo. Os corredores por cá têm normalmente entre 90 centímetros e 1,2 metros de largura, e nesse espaço tudo o que passe dos 30 centímetros de fundo começa a apanhar ancas e sacos das compras (25 muitas vezes chegam). É no comprimento que se pode ser generoso. Quando o hall é na verdade os primeiros dois metros de um rés-do-chão em open space, as regras aliviam, porque a consola passa a ser simplesmente o primeiro móvel da sala.
O espelho costuma ir parar alto de mais. Nós penduramo-los com o centro a uns 150 centímetros do chão, o que parece baixo numa parede vazia e se revela certo assim que alguém se põe à frente; mais acima, o que a maior parte das pessoas vê é o teto. Num hall escuro, o espelho duplica ainda a luz que houver (mais sobre isso em espelhos para ampliar espaços).
Um candeeiro, antes de tudo
Se só pudéssemos mudar uma coisa na maior parte dos halls, seria esta. Muitas casas algarvias mais antigas têm uma janela pequena junto à porta, ou nenhuma, e uma porta de entrada virada a norte deixa o hall na penumbra de janeiro a dezembro. A resposta habitual é uma lâmpada no teto, e o sítio fica com ar de corredor de repartição.
Um candeeiro em cima da consola, com uma lâmpada quente, é a primeira coisa que se vê ao chegar a casa à noite. Só isso faz a maior parte do trabalho. Num hall comprido, um aplique ao fundo também ajuda, e porque é que tudo isto resulta está em a importância da iluminação.
Os sapatos, e o chão debaixo deles
Os sapatos são a desarrumação a que ninguém escapa. A melhor resposta que conhecemos é um banco com assento que levanta: os sapatos vão para dentro e fica-se com onde se sentar para os calçar. Os casacos podem ir para cabides atrás da porta, que ficam escondidos sempre que ela está aberta. Se o hall tem um recanto difícil, um armário estreito feito por medida para ele engole mais do que se imagina.
O chão, na maior parte das casas daqui, é tijoleira de barro ou pedra. Bonito, mas frio e com eco como primeira impressão, e uma passadeira resolve isso. Escolha uma que aguente areia, como lã de tecelagem plana ou pelo baixo; o nosso artigo sobre como escolher um tapete explica porque é melhor manter a juta longe da porta de entrada. A areia também não é a única coisa que entra pela porta. Na primavera e no outono, o levante deixa uma camada fina de pó em tudo o que está por perto, o que é uma boa razão para preferir madeira selada ou pedra ao vime sem tratamento na consola (os cuidados com os móveis tratam de como limpar).
A coleção de hall de entrada está nas duas lojas da H&P Mobiliário e Decoração, em Albufeira e em Armação de Pêra, montada como ficaria em casa, o que é uma maneira melhor de escolher do que uma fotografia de cada vez. Venha ver. A cadeira junto à porta pode voltar para a sala de jantar.
